
Há diferenças fundamentais entre homens e mulheres. Filmes de menina, filmes de menino; coisas de menina, coisas de menino; homens são babacas, mulheres são escrotas. Enfim, mesmo que se argumente que isso varia de pessoa para pessoa, existe uma diferença fundamental de ponto de vista que não pode ser superada. E onde isso se torna mais insuportável é no relacionamento entre homens e mulheres.
Essa diferença fundamental na maneira de ver as coisas entre os sexos cria uma impossibilidade insuperável de qualquer relacionamento dar certo. A maneira como o homem se vê é enormemente diferente da maneira como a mulher o vê e o mesmo vale para as mulheres. Isso significa que um será sempre uma decepção para o outro. Ao mesmo tempo isso explica muito bem o ciúme. Dentro de um relacionamento, quando uma mulher vê um outro homem ela o vê à maneira das mulheres, admira seu humor, sua personalidade, sua possibilidade para o sucesso, sua capacidade de dar valor à mulher. Já o homem o vê como ele se vê. Um homem.
Um homem vive em função de um desafio, de um objetivo. Isso tem à ver com sua natureza focada e objetiva. A mulher é generalista. Ela vive em função de circunstâncias, de uma riqueza de detalhes e momentos que ela acredita que a fará feliz.
Um homem tem um sonho, um objetivo, se por acaso o alcançar ele sente um vazio por um tempo e cria um novo objetivo e assim ele segue sua vida. Tantas mulheres - conhecer tantos países - uma namorada - um trabalho - um carro - uma casa - um cargo melhor - um carro melhor - outras mulheres. Um de cada vez. Um depois do outro.
Uma mulher tem uma imagem de vida. Junto com sua personalidade ela constrói um prospecto e se imagina no futuro. Ela vive uma vida linear, tentando construir esse futuro, conforme a vida flui ela empurra o fluxo um pouco pra esquerda ou para direita tentando alcançar seu objetivo final. Generalista, complexo e completo.
Isso influi fundamentalmente na maneira como os relacionamentos se constroem. Quando uma mulher vê um homem, conversa com ele, investiga sua vida, ela constrói uma imagem dele e analisa se ele se encaixa nos seus planos, no seu modelo de vida. A experiência da vida a leva a relevar um defeito aqui ou ali, ela pode tentar consertar isso depois, mas no final das contas é isso o que ela faz. Ela mede, analisa, calcula e, no final, o aceita ou não. Uma mulher termina um relacionamento quando começa a descobrir características que vão diretamente contra seu plano de vida ou percebe que não consegue mudar aquele "defeito" que tinha percebido antes. Defeitos que não têm a ver (pelo menos aparentemente) com seu plano de vida, não influem nas suas decisões. (e por isso que tantas vezes elas se envolvem em relacionamentos aparentemente absurdos como a famigerada mulher de malandro)
Quando um homem vê uma mulher, ele traça um objetivo. Em geral ele se sente atraído fisicamente e seu primeiro objetivo é transar com ela. Pra isso ele dá o que ela quer. Conversa, tenta ser divertido, mostrar como é uma pessoa interessante. Se a mulher quer aquele homem, ela descobre seus objetivos e o convence que de alguma maneira pode dar a ele o que ele quer, que pode auxiliá-lo ou pelo menos que vai estar ao lado dele enquanto ele os busca. (O que não é uma coisa ruim, afinal, homem ou mulher, o ser humano não consegue viver sozinho, Darwin também tem seu papel nessa história). Depois ela começa também a convencê-lo de que ele deveria buscar esse ou aquele objetivo.
Bom, já escrevi demais e mal. Concluo: A mulher precisa de um parceiro para concretizar seus planos de vida. O homem precisa de um parceiro para lhe dar novos objetivos quando seus antigos são atingidos ou se provam irreais, mas quando olham um para o outro, discutem e planejam existe uma barreira intrasponível entre eles e não conseguem se compreender.
Nota: acho que isso funciona razoavelmente bem para heterossexuais, homossexuais e intermediários.
3 comentários:
"A mulher precisa de um parceiro para concretizar seus planos de vida. O homem precisa de um parceiro para lhe dar novos objetivos quando seus antigos são atingidos ou se provam irreais" - Acho que o fracasso não é sempre uma tônica. Se os dois se ajudam neste objetivo, os dois ganham, não acha? Tudo questao de comunicação e boa vontade.
Ou sou romantica? (sou sim claro, ..., afff )
Só esqueceu de falar que muito desse jeito de o homem e de a mulher ser é, na verdade, uma construção social. Embora haja diferenças físicas, neurológicas entre os dois sexo, sabemos bem que o fato de o homem se portar de uma determinada maneira frente a relacionamentos tem muito mais a ver com o tipo de comportamento que a sociedade espera dele. E isso, logicamente, também vale para as mulheres. Dessa forma, não acho que a natureza mais objetiva com a qual o homem encara a vida seja o fator que vai explicar comportamentos do mesmo que vão além de dar coordenadas a alguém para se chegar a um certo lugar. Afinal de contas, se relacionar com alguém exige, antes de qualquer coisa, respeito aos padrões comportamentais estabelecidos por todos. E lá vemos o homem pegador e a mulher maria-gasolina. Só não podemos achar que tais estereótipos são meramente naturais e explicáveis sem se partir para uma análise mais social.
Concordo com alguns fatores de seu texto, entretanto quando você escreve:
“Uma mulher tem uma imagem de vida.” Você nos caracteriza, cria um estereótipo de pessoas amorfas, inertes, efêmeras, que simplesmente sugam e nunca agregam nada a ninguém, nem a si mesma, pois é incapaz de realizar tal ação. O que não concordo.
Se a mulher imagina, uma vida para ela, e se aproxima de um homem, com o único objetivo de verificar se o mesmo se encaixa em sua vida já definida, existente no plano imaginário, a mulher simplesmente, não terá um homem e sim uma coisa qualquer, sem vida e muito menos essência, pois não há relação, relacionamento, se ambas as partes não possuem vida própria. Se o homem, quando não foi mudado, alterado, despido de seus “defeitos” é jogado fora é porque este ser, que não é mulher, não desejava um homem e sim, algo que lhe foi ou é útil, de vez em quando.
Penso que, a existência, no contexto de cultura, identificação, da mulher e do homem, é algo intrínseco, não tem como separar. Porém, isto não significa que, devemos viver em uma cadeia alimentar humana, improdutiva. O homem agrega a mulher fatores, sensações, conhecimentos sui generis que são escassos em nós. O análogo existe para a mulher, ou seja, a recíproca é verdadeira.
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