26.2.11

Páginas Rasgadas

“Do olhar vigoroso da juventude nasce a esperança serena da maturidade.” - Hans Alfred Einstein




Com os olhos fixos na página, lia e relia linhas que não estavam escritas ali. Frases sem palavras que foram impressas naquele espaço, em outro tempo. Imaginou-a rasgando as páginas uma a uma. Lia algumas linhas mexendo a boca e fazendo uma vozinha enjoada na cabeça e rasgue, lá se foi uma... e rasgue. Detinha os olhos por alguns momentos na página, sentiu uma náusea. Largou o livro aberto no chão, se estirou na cama e ficou lá, como que crucificada, e pensou nele, ali, deitado naquele mesmo espaço, olhando pela janela. E, olhando pela janela, refletia sobre a vida, sobre o espaço, o tempo, sobre o sentido daquilo tudo e já não estava mais ali, naquela cama, mas em outra, no antigo apartamento. Outro tempo, outra janela, a mesma cama. Ouvia o barulho das ondas, um eventual carro passando na praia e da janela via as estrelas no céu claro, esbranquiçado pelas luzes da cidade. E a imaginava ali também, dias antes, andando em direção à janela, disse tchau, mas não foi. Não naquele dia. Naquela janela, sim, mas em outro tempo, muito distante, sem dizer tchau. As ondas batiam na areia, no banco do calçadão ele a olhava nos olhos. Olhos cor de mel, azuis, verdes como os seus, castanhos.

Castanhos, bem escuros. Olhos. E eles encaravam ás páginas rasgadas do livro sem entender porque tinha feito aquilo. Mas ela não estava mais ali. Não naquela hora, não naquele lugar.

2 comentários:

Anônimo disse...

seu texto esta em 3d :)

Anônimo disse...

Talvez, ela nunca esteve por ali... ou passou de olhos fechados...

Alina