Algumas vezes fui questionado sobre a extensão e abrangência da minha biblioteca de músicas (nem de longe uma das maiores que eu conheça). Aproveitando o fato de que ninguém lê esse blog e que eu posso dar vazão às minhas reflexões narcisistas sem dano nenhum e sem ter que escrever em um diário condenado ao oblivion do lixão, resolvi esclarecer o tópico em algumas linhas nesse domingo nublado.
Em minha adolescência eu nunca dei muito valor ao pop, e às músicas dançantes que tocavam nas festas, nunca me relacionei. Em um determinado ponto da minha juventude prematura, comecei a sair com alguns amigos que gostavam de ouvir essas músicas e, mais tarde, quando estava na Alemanha saía bastante para boates e tal, além do mais, eu adoro dançar, e eu relaciono esse tipo de música, Mix FM style, com tudo isso.
A minha formação, bastante diversa, teve uma intenção clássica, muito até como um desejo de me tornar amável para o meu pai, também relacionada com um gosto pela leitura de clássicos e sua ambientação além da ótima experiência que eu tive com os corais fez com que eu apreciasse a música clássica também.
É uma parte do meu lado contemplativo que, complementado pela meu sentimento religioso, adicionam o Canto Gregoriano ao repertório.
A própria experiência nos corais além de uma memória das viagens de carro na infância, junto com uma vontade de me adequar ao meu meio (nesse caso - o Brasil) e de reafirmar minha Brasilidade quando eu estava no "exílio" explica a presença da MPB .
O Rock clássico e e dos anos 90 foi realmente o gosto que eu desenvolvi na adolescência, as minhas primeiras influências musicais mais fortes e o gosto que foi sendo moldado junto com a minha própria personalidade.
O Jazz-Pop foi um gosto que se desenvolveu naturalmente como uma mistura dos gostos clássicos e do Folk e Rock Tranquilo da adolescência tardia.t
Por fim (creio eu) o Indie e Rock Alternativo, vem de uma fase mais recente e refletem as minhas expectativas de relacionamento, tendo uma identificação com o meu tipo de parceira desejado.
E se me pedirem para eleger um top 6 meio caótico entre artistas, músicas e estilos (o que é muito improvável), eu diria:
6 - Jamie Cullum
5 - Indie/Alternative Rock from the late 2000s (Mando Diao, Franz Ferdinand, Artic Monkeys, Strokes, Kings Of Leon)
4 - Ária em sol para quarteto de cordas - J.S. Bach
3 - Beatles
2 - Pearl Jam
1 - Bob Dylan
1 comentários:
Engraçado, parece que só para contrariar a sua prematura certeza de que "ninguém lê esse blog", alguém leu, e pior, não se manteve inerte após a leitura.rsrs
O tema é interessante, além de digamos "curioso", haja visto que gosto musical, estilo de músicas que escutamos, é algo praticamente intocavél quando se pensa neste assunto, entretanto, até que este seja concluído, isto se for possível falar em conclusão desta mania que diariamente fazemos questão de manter e atualizar, nos deixamos ser influenciados por varios fatores que nem sempre percebemos, fato este que concordamos, parabenizo a você por se recordar ou mesmo fazer questão de entender o porque você escuta este ou aquele tipo de música.
A sociedade onde estamos inseridos a cada dia se perde mais de informações digamos "não utéis" a economia ou ao clima mas muito importantes a nossa própria construção enquanto seres humanos e pensantes. Me questiono se muitos adolescentes escutam música simplesmente porque uma maioria executa esta ação ou porque a música que escuta representa algo para ele.
Mediante algumas produções ditas "música", e fazendo uso do pressuposto de que a música que escutamos representa algo para nós, fico perplexa quando penso ou tento imaginar o que é representativo para os nossos adolescentes, haja visto que as produções musicais que escutam, externam simplesmente sensações, sendo estas possíveis a todos o seres desde os racionais até os irracionais, basta perder o pudor ou o respeito ao seu corpo. No contexto escolar é possível observar que alguns fatores cruciais a nossa sobrevivência são definidos pela música, mas não porque a pessoa deseja, mas porque é somente aquilo que tem ou é só o que consegue obter, haja visto que quando tenta mudar , procurar outra rota, é massacrado pelo meio que o cerca e lapida.
Parece complicado viver assim, sem liberdade, porém é assim que vivemos, e o pior é que nem percebemos esta nossa triste realidade, e se percebemos o celular toca e temos que sair.
Nos ultimos dois messes estive na casa dos meus pais, a residência deles é em um sitio, onde não tem linha telefônica, internet, a energia elétrica chegou faz uns 6 anos, estrada sem asfalto, logo no que se refere a tecnologias, mesmo aquelas pessoas com um poder aquisitivo alto são limitadas pela estrutura precária. Contudo, inserida neste espaço que parece o caos, é possível encontrar uma ordem, que nem sempre é visível aos nossos olhos, mas que existe dentro de nós mesmos, não confunda essa "ordem" com a ordem natural das coisas a "ordem divina", falo da ordem que nós podemos impor a nós mesmos.
A priori pensamos que só é possível nós conhecer um pouco se estamos longe do trabalho ou quando entramos em depressão, a verdade é que fazemos uso dos extremos para não admitirmos que estamos nos afastando de nós mesmos enquanto pessoa, seres pensantes. Fato este que nem lembramos, já é tão obvio pensar que se tornou automático, tenho que pensar nisto ou naquilo pois será rendável ao bolso do meu patrão e como efeito dominó a mim.
Interessante é que com o nosso cotidiano cada vez mas entupido de ações a serem excutadas, horários a serem cumpridos, nós estamos invertendo os papéis, a nossa capacidade de pensar esta limitada ao nosso corpo, e não o nosso corpo que é limitado, estranho. Esta situação se configura quando estamos no trabalho e só pensamos em algo porque é necessário, só pensamos nas situações que podem acontecer depois que já fazem parte de nossa realidade, e quando mediante estas, procuramos explicações para o fato ou simplesmente dizemos que a pessoa foi leviana e que foi por causa desta irresponsabilidade que isto ou aquilo aconteceu.
Não sei se estou correta, mas será que há algo correto no mundo?
Me perdi do tema música
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